Professor é investigado por coletar sangue de alunos com mesmo instrumento
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Foto: Prefeitura de Laranja da Terra -
Docente usou objeto pontiagudo para furar estudantes em aula prática sem autorização
A Polícia Civil do Espírito Santo investiga um professor de química que coletou amostras de sangue de alunos utilizando o mesmo instrumento, durante uma aula prática em uma escola da rede estadual de Laranja da Terra, no interior do estado. O docente não solicitou autorização prévia para a atividade e foi demitido após a repercussão do caso.
O episódio veio à tona após os próprios estudantes registrarem a atividade em vídeo. As imagens mostram o professor furando o dedo dos adolescentes com um objeto pontiagudo de metal. O sangue era colocado em lâminas para análise no microscópio. Uma das alunas envolvidas relatou a surpresa com a situação.
“A gente viu, mas no momento pensou: 'Ah, ele é o professor, ele sabe o que está fazendo'. Como ele limpava com álcool, acreditamos que estava tudo bem e a maioria deixou furar o dedo”, afirmou a estudante.
Os alunos têm entre 16 e 17 anos e seus pais não foram informados previamente sobre a prática. Somente no fim do dia tomaram conhecimento da situação, quando os jovens foram submetidos a testes para verificar possíveis infecções.
“A escola levou os alunos para fazer exames e os testes rápidos deram negativo. Mas a nossa preocupação é: e no futuro?”, questionou uma das mães.
Segundo os pais, 44 alunos de três turmas participaram do experimento, realizado em dias diferentes na semana passada. Nesta terça-feira (18), os estudantes foram novamente testados e serão monitorados pelos próximos três meses. Os exames incluem a detecção de hepatite B e C, HIV e sífilis.
A médica infectologista Rubia Miossi explicou o risco da prática: “Toda vez que utilizo o mesmo material pérfurocortante em mais de uma pessoa, há risco de transmissão de doenças infecciosas. Esses instrumentos devem ser descartáveis e de uso único”.
A Secretaria de Educação do Espírito Santo confirmou que o professor não solicitou autorização para a atividade e que a corregedoria do órgão está apurando o caso. O secretário de Educação, Vitor de Angelo, reforçou a gravidade da situação.
“A escola não conseguiu providenciar os insumos necessários para a atividade ser feita de maneira adequada. E, ao não informar sobre a prática, o professor expôs todos ao risco”, afirmou.
A Polícia Civil já iniciou a coleta de depoimentos e deve intimar o professor nos próximos dias. O delegado-geral José Darcy Arruda explicou que, inicialmente, o caso está sendo tratado como um crime de exposição ao perigo.
“A princípio, o que se apresenta é um crime de exposição ao perigo. Vamos aprofundar a investigação para verificar se houve dano efetivo”, declarou o delegado.

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